REFLETINDO SOBRE A TAREFA, por Tânia Zagury
REFLETINDO SOBRE A TAREFA
Tânia Zagury
Encurtando a adolescência
(...) Alguns pais me perguntam se podem barganhar com os filhos para que eles estudem. Alguns começam
oferecendo dinheiro ou pequenos mimos quando as crianças nas primeiras séries tiram boas notas. O perigo desta
atitude é que ela sinaliza para nossos filhos a ideia de péssimas consequências no futuro - de que nós, pais
devemos pagar aos nossos filhos por seu rendimento escolar bom ou ótimo, estabelecendo o conceito, totalmente
equivocado, de que nossos filhos estudam para nós, pais. Manter os filhos na escola é uma obrigação legal, mas,
em contrapartida, é também um dever de nossos filhos não desperdiçar esta oportunidade. Portanto, vamos começar
logo, de forma correta. Nossos filhos estudam porque é importante para a vida deles. Este é um aspecto que deve
ficar claro desde cedo. Ir a escola não é um favor para o papai e para a mamãe. É um benefício importante para o
futuro que eles não devem desperdiçar.
Quando a criança apresenta bons resultados, é importante que receba dos pais aprovação e incentivo. Isto
absolutamente não significa receber presentes. Representa receber carinho, palavras de afeto e aprovação, beijos e
atitudes de franca alegria.
Cabe aos pais também, além destas categóricas demonstrações de aprovação e orgulho (que levam a criança ao
prazer de produzir e estudar), ter compreensão e dar auxílio quando um ou outro resultado for menos satisfatório.
Será positiva a palavra de apoio e de crença na capacidade de superação do jovem. Desta vez você não se deu bem,
mas da próxima vez tenho certeza que você vai se superar. Só isso, porém é pouco. Além da crença na capacidade
do filho, é necessário também supervisionar seus estudos diários. Verificar como estão sendo feitos os
trabalhos de casa, se estão completos, bem feitos, caprichados. Tudo isso, junto, ao longo dos anos é que irá
formar o bom estudante.
(...) É preciso não confundir incentivo e prêmio, tão necessários aos nossos filhos do ponto de vista emocional
(mas que devem ser a nossa alegria verdadeira e genuína, o nosso orgulho ao vê-los lendo a primeira palavrinha, o
nosso carinho e apoio quando de suas dificuldades), com a troca mercantilista que conduz a uma visão enganosa do
papel da educação na vida de nossos filhos.
Devemos punir ou não nossos filhos quando se esquivam às suas responsabilidades?
Apesar de todo o seu empenho, das explicações, do carinho, seu filho não quer estudar. Ele é carinhoso,
maravilhoso, bom, mas não estuda. O que fazer? A nossa forma de agir pode fazer muita diferença. Uma palavra
pode tornar-se altamente positiva ou ter resultados muito negativos. Tudo depende de como a utilizamos e em que
contexto. Exemplifico: você percebe que seu filho não gosta ou não quer estudar. Vocês conversam, estabelecem em
conjunto um horário adequado para o estudo, arrumam um cantinho simpático só para ele fazer suas tarefas, onde
possa concentrar-se, tudo perfeito...! Aí, dia após dia, você vê que ele encontra as mais variadas desculpas para não
estudar, senta, levanta, às vezes nem mesmo senta, sai de casa e quando você chega à noite do trabalho, verifica que,
de novo, o acordo não foi cumprido... E aí? Bota de castigo? Briga? Fala de novo, pela milionésima vez? Não, não
briga, não fala de novo, se você fez isso várias vezes e não adiantou. Agora, só uma sanção fará com que ele entenda
que não pode fazer apenas o que quer. Só que em vez de gritar, berrar, bater, se enfurecer, você, com toda a calma e
segurança do mundo, lhe diz muito, mas muito séria mesmo: Que pena, você não estudou no horário combinado,
então, agora, infelizmente, a televisão terá que ficar desligada (ou o som, computador, vídeo game, ou o que for
mais conveniente) para que você possa recuperar o tempo perdido... . E assim deverá ser feito de preferência
desde que a criança é pequena para que ela possa compreender e interiorizar que, primeiro deve cumprir seus
deveres e só depois poderá ter o tempo que quiser para se divertir. É muito importante fazer cumprir as
determinações, caso contrário, tornando-se apenas ameaças não cumpridas, terão efeito negativo, desautorizando e
desmoralizando os pais. Se ameaçar, cumpra.
Não se trata de uma briga, e ele (o filho) logo irá perceber, trata-se de orientarmos nossos filhos sobre
prioridades. Trata-se de mostrar a um jovem em formação que existem regras e leis a serem cumpridas numa
sociedade.
Temos que começar esse processo quando eles são pequenos, mas nada impede que, com as devidas
adaptações que a idade exige, se atue de forma semelhante com o adolescente.
Se quisermos que nossos filhos não eternizem a infância e a adolescência, façamos com que
compreendam que todo ser humano tem direitos... e deveres também.
Tânia Zagury
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